quinta-feira, 17 de abril de 2008

Ponto Final

Ao retornar, percebi que já não lhes bastavam as palavras e fui colocando a pontuação. Fui puxando o desenho amassado de dentro da mochila, aconselhando-a a seguir o seu caminho:
“Na vida temos duas escolhas, meu bem. Ou o caminho certo, ou o errado, mas isso depende dos olhos quem vê.” - Depressa foi me tirando das mãos a linda imagem do garoto, pegou também um lápis cor-de-boca, com o qual traçou um grande ponto final.
Não bastava mais escrever, era preciso atitude. Por isso observei atentamente o que a moça estava indo fazer.
O mundo todo parou.
Ouviam-se apenas as batidas cardíacas dela, que fazia com que o garoto compusesse uma canção. Ele falava-lhe sobre escolhas, sentimento, sentia igualmente o medo da perda, poderia parar o coração.
“Agora é adeus. Recebe?” – falou ela ao soluçar. E foi assim, que eu despertei. Quando acordei do sonho, eu resolvi mudar: “Agora eu vou escrever, desisti de sonhar’”. Assim, eu contei a todos o sonho que durou dois anos, pura ilusão. Acabei com ele através de uma canção. Como a moça do sonho, agora eu vou pontuar, viver minha vida real e parar então, de apenas sonhar.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Recebe?

Andei prestando atenção em um dos filos do Homo-Sapiens, é algo como Homo-Apaixonado. Esse que analisei, mais precisamente, do sexo feminino.
Ela me parecia um tanto confusa, com clareza se via em um momento de desespero. Sua respiração ofegante, não deixava eu me enganar sobre que se tratava de um grande amor que não se findou.
Cabisbaixa, as mãos tremulavam ao bater nos teclados, um lápis e um papel ao lado, onde traçava um rosto conhecido.
Parecia meio sem postura, concluí que fosse pela imensa carga de culpa que trazia. Um misto de amor, com impossibilidade.
Depois de um tempo, olhei no fundo dos olhos e ela lacrimejava, senti-me constrangida ao perguntar o que havia acontecido. Logo mais quem chorava era eu.
Ela olhava fixamente para a tela, o coração pulsava tanto, que parecia ritmar uma canção. Nos seu olhar refletia as seguintes palavras, que pude ler nitidamente: “Eu Te Amo! Recebe?”.
Então, relatou-me desse velho amor. Eu tampava os ouvidos e fechava os olhos. Na verdade eu não queria saber, eu fingia que não era pra mim, porque doendo nela, doía em mim.
Tudo se calou naquele momento. Foi estranho quando olhei para a folha ao lado, e percebi que me eram conhecidos os traços daquela pessoa. Recolhi então o desenho, guardando em uma mochila que levava comigo.
Chegara a hora de eu partir. Olhei para e moça, estendi a mão até ela, lhe dizendo que não era necessário usar a mochila que pulsava pra resolver, a razão que trazia na sua cabeça, bastaria para cessar a dor.
Voltei-me para tela, tentando enxergar, desta vez, o que havia escrito, pude ver apenas: “Recebe?”.
Parti. Abandonei-a ali, com tanto sentimento, que não era meu, mas que mesmo assim me fazia sofrer. Fiquei pensante, com as batidas do coração tão ofegante quanto à da guria que deixara para trás.



Afinal, quem era ela? Sobre o desenho não há dúvidas que é você! Vai reler o texto, ou não vai receber?

terça-feira, 1 de abril de 2008

Azul Cor-do-Céu

E eu te falei do meu medo. Eu tinha pegado na tua mão com tanta insegurança, como se tudo aquilo fosse errado. Como se de repente as coisas saíssem dos seus lugares, revertessem seus papeis. Mas eu nunca neguei. Eu nunca neguei de que você é tão azul, como as cores do teu olho, visto de tão perto. Como mutantes, nós mudamos nossos destinos juntos. Você tocou na minha mão, me fazendo girar. Em tantas cores, que jamais havia visto. Eu falava de muito, de muito tempo, de tantas horas, e você me olhava. Inundava-me com teu mar. Então eu olhei pra trás, e nós tínhamos ficado estáticos naquele momento, pra que aquilo fosse pra sempre. Sem dizer nada, mas expressando em muito todas as coisas que passava pela nossa rua. Eu olhava para as luzes dos carros, e você me olhava com luzes no olhar. Naquele dia, o sol nasceu mais tarde, pra que eu não despertasse do sonho. E então pelo reflexo do espelho eu pude ver o ritmo com que minhas pálpebras piscavam, e se ascendiam diante da radiante felicidade com que as batidas do meu coração estavam sintonizadas. Em segundos, olhei-me de novo e pude lembrar dos momentos que doloridamente caiam lágrimas dos olhos- não dos meus, mas sim do meu reflexo no espelho. Transparecia em mim as dores que estavam se indo, e levando consigo todas as minhas palavras.
Agora não há nada, além de um coração que bate, e de um Q.I. frustrado. Você me deixou tão azul que eu prometo estar ao seu lado. Você será pra sempre o meu céu, e eu serei sempre teu sol. Nós iremos arriscar. Você me ganhou. Por que aquele dia tão triste, aquelas noites tão frias, simplesmente acabou.

“Que seja doce.”

domingo, 30 de março de 2008

Apenas, canudos

Tenho tido tantas crises sentimentais que não consigo alinhar meus pensamentos pra colocar em um papel. Penso com tanto magoa de mim mesma, que chego a estar insuportável. Não há amor por terceiros, por que nesse momento nem a mim eu amo.
Com essa mania de me comparar com objetos, hoje vem um novo: álbum de fotografias ambulante.
Guardo em mim tantas imagens, tantas coisas bonitas por fora. De cada momento que eu passei, bons, ruins. Algumas imagens tanto me doem, que formam feridas.
Guardei em mim aquela Coca-Cola, em forma de fotografia. Guardei no intimo dos meus pensamentos aquele sorriso que me destes antes de partir com uma mão no bolso e a outra no cabelo.
Tu não lembras, mas consigo ver nitidamente em mim aquela tua cara de sono, e o teu jeito manso de falar sobre uma próxima vez- um não acontecido. Consigo sentir o toque dos seus dedos sobre a minha mão fria- fazia muito frio, naquela noite chuvosa.
Eu ainda ouço aquela canção de nós dois, é ela que me trás tantas fotos. Tanta coisa passou, meu coração já não bate na mesma sintonia que o teu, e nem mais por ti. Mas é uma história de filme, um filme que alguém gravou e não percebemos.
A vida é mesmo frágil demais. Eu sabia que você era o que faltava pra completar meu quebra-cabeça, e assim, de repente, o vento leva consigo todas as nossa peças. Tudo aquilo que nos completava.
O que eu te dei foi tão pouco, quanto às vezes que pude te sentir por perto. Mas ainda há os canudos.
Agora estamos distantes, mais do que antes. Estamos distante de corpo, alma e coração. Minha rotação é lenta, mas você se foi a tanto. Estou estática aqui, e eu só quero que esse novo me dê o que se permite: dentro do limite do ser humano. Eu estou estática aqui, não movo uma mão. Talvez, feridas eu vou causar, mas é tão humano ser, estar, querer ficar apenas consigo, nada a mais.
Estou com vontade de te dizer agora, o que passa no meu coração. Estou tão diferente, vendo as lágrimas descendo, e tendo alguém pra enxugar essa dor. Dentro do meu peito, ou do lado de fora. Agora eu posso ser o ar que ele vai respirar e dividir o que vivi. Já são tantas fotografias que não sei onde guardar, mas estão bastantes seguras, não há mais vento para as levar.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Círculos

Eu tenho forçado tudo dentro de mim. Eu quero viver uma coisa que não é minha. Essa brisa que me leva pra uma vida normal, chegou em má hora. Minha poesia está indo embora. Não falo mais nada, não há nada de inútil em mim pra eu jogar em um texto.
Eu preciso escrever. Por que eu não sou uma gaveta: que mexem, remexem, tiram coisas, desorganizam. A paixão faz isso com a gente, e a única coisa que me dizem é – “Deixa acontecer!” –alguém me fala, por favor: “É, teu QI ta baixando, meu bem!”? Triste falta de QI a minha.
Eu sempre mandei em mim, e eu posso fazer isso. “Destruir antes que cresça”. Mas não é aí que eu quero chegar, só quero mudar o meu papel nessa história: da gaveta, para a faxineira.
Faxineira, para manter a ordem dos fatores, respectivamente: razão e amor. Dobrei na esquina errada, peguei o ônibus trocado. Sinto saudade da velha guria, das suas inspirações, de seus amores fictícios. Puxa vida! É triste viver uma realidade, eu preferia uma inventada. Um conto de fadas qualquer, algo na minha idéia de perfeição. Queria meus sonhos, não a ação!
Que meu sol continue a brilhar, ao menos isso. Que ele não ande em círculos, como eu, esqueça do Japão e permaneça estático aqui. Pra que eu siga nessa idéia louca de viver toda pra dentro: dormindo ou sonhando todo o tempo.



tuane ;9 diz: Ta com medo de amar, é? (8)
(...)

terça-feira, 25 de março de 2008

Pra clarear a situação:

Em primeiro lugar o blog não será excluído. Devido aos polêmicos comentários anônimos serão feitas algumas mudanças por aqui, uma delas, já visível.
Deixei apenas os textos que mais gosto, e tolerem os comentários neles feitos.
Mil desculpas a quem tem o nome citado em algum comentário, e que fique claro que eu já sei que o autor não é o Hique.
Espero logo conseguir postar textos novos e bons, porque os últimos têm sido péssimos!
Desde já agradeço. Quaisquer coisas, podem me falar por e-mail, ou pelo MSN mesmo!Beijos, e desculpem-me pela confusão!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Lixo Humano

Eu quero me escapar de tanta ignorância! Quero ir para além do céu, em um lugar que não haja tanta violência, que esteja extinta essas pessoas menores.
Eu preciso de paz exterior, porque a interior já tem me assustado com a vasta quantidade que me compõe.Há algo que me impede de falar nitidamente tudo o que se passa comigo, só eu sei o quanto me afastar desses males trará mais harmonia para os meus dias. Não posso mais suportar a ignorância, não posso mais tolerar tanta ignorância. Essa é uma doença que só tende a crescer, e não há vacina alguma contra!
Ando fatigada, tenho chegado ao um extremo de mim, já não contenho mais essa vontade enorme de vomitar tudo o que tenho evitado falar.
Preciso de sossego, férias coletivas da razão, e que venha mais tolerância pra esse corpo. Preciso respirar bem fundo, contar até cem, e depois me erguer de novo, cega, pra não enxergar os absurdos.
Retirar-me daqui, viver uns dias inconscientes, terapia do sono talvez, ou então algo que me tire à audição pra esses menores que me refiro. Vou pegar meu bem-estar, colocar na mala, e ouvindo um reggae seguir pra lugar algum. Lugar esse que seja em outro mundo, pra esquecer os animais transbordados de ignorância. Deixar de vê-los como pertencente à raça humana, e então poder me referir aos ditos como: LIXO HUMANO!


Ps.: Uma vassoura seria muito mais útil se pudéssemos varrer os pensamentos inúteis de algumas pessoas.