quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Um céu ex-azul


Dias cinzentos, talvez eu não devesse mesmo falar tudo o que falei ou lembrar-se de tudo o que eu lembro. Na verdade, todas essas frases jogadas foram se tangenciando, cada uma tocando na outra, uma cama de gato vai se formando lentamente. Ela me lembra essa formação de temporal que presencio daqui, sentada, lamentando.
Eu fui tomada por essa vontade que se contorce de correr na chuva. Eu deveria mesmo parar de voar. Essas asas sempre foram inúteis, me confundem. Lançam-me ao céu na esperança de me libertar. De quê?
A nossa música nas ondas do rádio ia se chegando de vagar e tocava meus cabelos. O vento gélido anunciando ciclone era outra melodia e te expulsava dessa lembrança. Começo a emergir.
Essas feridas loucas ardem, não sei se mais em dias de chuva, ou se doem mais quando o pôr do sol se forma entre as poucas nuvens no céu. É, era o nosso por do sol e agora, meu.
E pouco a pouco a chuva começa a acalmar. E o teu céu, azul, ressurge, entre as frestas das nuvens estou eu, acanhada, tentando brilhar. Tentando, tentando, sem parar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Barreira


Seria fácil se existem apenas aquelas lágrimas com gosto amargo. Parece incrível eu estar aqui ainda enquanto me doeram tantas verdades. Acreditar em Deus, enquanto o sol começa a nascer e a vida insiste em pulsar. Enxergar que a vida não passa de um punhado de sal que se joga pra espantar um temporal. Tomo um gole de água. O coração parece inflamar, dores e mais dores incendeiam minha saudade. Mas, é uma saudade de sentimentos antigos como fé e esperança.
Veja só, eu só queria alcançar a vida mais rápido, enquanto ela corre pelos seus caminhos ensolarados. Eu só queria ser feliz, cara. Longe daqui. Eu queria desenhar as coisas boas da vida. Mas agora só me resta esse nó e essa sede que parece insaciável. Estou mais cansada e tudo está mais distante. Não há mais portos e o mundo já não é o meu.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Pa-pa-pas-sei


Fico exausta. Às vezes chego a me enrolar sobre mim mesma, como um solenóide. Ai, me ajuda você, esquece a solenóide. Tenho tido constantes espasmos cerebrais e por isso já não sei diferenciar força eletromotriz de tensão. Isso, achei! Tensão. Três semanas de convívio direto, essa danada já deixou até a escova de dente no meu banheiro. Até domingo querida, depois, Deus dará: você seguindo o fluxo. E se eu não passar, deixa estar, nem você, nem ninguém, vai conseguir me segurar.
Pa-pa-pas-SEI!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Retorno ao Lírico


Olha meu amor, hoje eu descobri que a minha vida é uma obra já escrita. Uma obra publicada e projetada em Hollywood pelas estrelas mais consagradas do cinema. Nessa obra – engraçado – eu sou todas as personagens.
Sabe, já tive dessas de idealizar o amor. Eu lhes contaria se conseguisse alinhar os fatos. Mas eu não consigo. Talvez porque não houve tempos certos nem planos exatos. Tudo não passou de um flash ou de uma projeção vagabunda em um cinema vazio. O que sei é apenas que você existiu, e você, e você, e você também. Histórias pra duas vidas inteiras.
Parece cômico, mas nem você, nem você, nem você valeu apena. Eu que lhes procurei, forcei, moldei e embalei pra presente. Presente pra mim. Até que um dia vocês mudaram de embalagem e eu era apenas mais uma criança esquecida pelo Papai Noel. Ah, eu tinha um impulso, uma eletricidade sem fim, uma carga inesgotável. Não desistia do amor.
Lá fui eu, como quem levava uma sacolinha de compras na mão, a busca de alguém perfeito. Pronto, foi aí que te achei. Achei - isso mesmo, eu procurei. Como diria Caio: Quem procura sabe encontrar. Mas o precipício, logo ali na frente, depois da curva, já estava com cede de mim. Poft, caí!
Dessa vez, adeus, amor.
Minha mãe costumava falar pra que quando eu me perdesse era pra eu ficar paradinha no mesmo lugar, então, ela me acharia. Ironia! Ali estava eu, estática, quando ele pegou na minha mão.
O amor é assim, ele têm dessas. Possa acreditar, lá no fim da rua dos paralelepípedos, entre os maiores desastres, é que ele está. Ah o amor, e esses outros desastres.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Dos desabafos


Ao contrário do que tu pensas, eu não me importo com beleza, não tenho pretensão de enriquecer superficialmente e nunca fiz nada com intenção de humilhar alguém e muito menos de ferir qualquer pessoa que fosse. Bem pelo contrário, deixei de fazer MUITAS coisas pra não ferir ninguém, porque o que aprendi é o que ponho em prática: respeito.
E gosto dessa palavra, coisa de gente humana, de quem tem beleza interior. Essa sim me importa. E se tu a tratas como ofensa, pra mim é recompensa pelas atitudes que tomei com coração sincero e me preocupando com quem estava à volta.
Sei que quem mais guardei nessa vida, hoje, pode até me difamar, mas aqui dentro, mesmo com a dor de ter me privado de certa felicidade, não me arrependo de nada. O mundo seria algo mais bonito se tudo o que acontecesse nele fosse feito com humildade.
Frieza não leva ninguém a lugar algum.
Frieza atrasa a vida.
Se privar de quem ama, te leva pro poço.
As coisas são conquistadas através do amor. A sensibilidade é nada mais, nada menos do que a maior qualidade do sucesso. De nada vale conquistar dinheiro e virar nome de rua se no final da vida o que vai ter valido a pena é o amor. Esse, tu levarás pra eternidade.
Sou aquilo tudo que vocês podem ver.
Transparência: esse o é meu lema.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Novilúnio


E é exatamente nessas horas que eu amo as flores. Puras em si. Quando solitárias brilham mais, é como se o sol focasse todo o seu brilho em uma única vida. Flores são divindades. Por algumas vezes, relíquias de um amor antigo, de um beijo que se perdeu na imensidão do calendário.

Agora, eu não sou flor. Por vezes me sinto. Logo em seguida, caio em uma rede de asas e me vejo impura. Não sou flor, mas há algo que me ilumina. Uma lágrima divina, um arco-íris solitário na sombra de um sorriso amarelo que um dia tu deixaste.

Meu romance é primavera, que separa dois tempos: um que foi e outro que vem. O momento que nasço, é o momento que me calo, quando essa vontade de jogar fora me mata um pouco mais.

Eu não sou flor, mas queria ser.
Flor quando morre volta mais linda e não esquece seu papel de embelezar. Eu quando morro, volto chorando e sempre esqueço o meu papel de soletrar...
qualquer coisa. Sobre flor!
Não saberia mais escrever, se não fosse o teu amor!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

I love potatoes


Eu sou fake sim. Porque não? Tudo não passa de um jogo de marketing mesmo. Sou uma fachada rosada de simpatizantes GLS. Talvez eu seja apenas uma luz neon que se apaga quando a festa termina ou quem sabe uma das cores do arco-íris na bandeira colorida.

Posso ter tudo, e tenho. Mas posso não ser nada.

Reticências. Posso ser! Indico ironia. Sou suspensão de pensamentos. Mas ainda sei me denominar, ao contrário de você que mal sabe criticar. Eu fui teu sonho, sei, tu fostes o meu também, mas os sonhos, como purpurinas, cintilam muito em um intervalo curto de tempo. Todos eles voam, se desfazem, ao contrário de mim: ótima e anti-transpirante.

Você quem decide, a verdade está dita, enquanto ela ama baleias eu amo batatas fritas!