"- Fiz algo errado? - indagou-lhe impaciente.
Não soube se o tempo ou a resposta foi lenta.
- A gente não podia mais nos falar...
- Fizeste o que eu deveria ter feito.
O coração saíra pela boca, pois se não saísse, em seu lugar sairia isso:
- Abri a porta pra você, te dei as duas mãos quando tu estavas triste. Tu deitaste no meu sofá, tu és ingrato! Me falaste que o que é nosso está guardado em mim, saibas que sentimento não se guarda, se vive! Pra mim, cedo ou tarde é sinônimo de nunca, e você, agora, é sinônimo de nada!"
"Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia."
sábado, 14 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Talvez fosse

Um vidro, e além uma janela. Uma janela retangular que me leva a ver a rua, uma planta verdinha, uma arvore velha e mais outra seca. Da janela da sala eu vejo o tempo, que não está mais tão ensolarado como nos verões passados. Dessa mesma janela, há dias atrás, eu pude ver o sol, um sol quadrado.
O tempo está fechado, talvez seja por esse motivo que escrevo. Típico. Também tenho me sentido triste nos últimos dias, mas é uma tristeza que não está ao meu alcance. Simplesmente existe. E sem motivo.
Todos os dias quando eu abro os olhos eu sinto que alguém existe além de mim, mas aqui dentro, entre uma sístole e outra esse alguém grita. E sem motivo. Mas está, sobretudo, vivo. E aqui dentro.
Talvez fosse um anjo, talvez fosse Deus. E quem sou eu pra abrigar Deus?
Eu sou alguém que carrega outro alguém. E vivo. Mas não pode ser Deus, porque o deixei em alguma tristeza passada, ou em um soluço de desespero depois do erro inevitável. Eu devo tê-lo esquecido.
Eu carrego alguém que berra. Como se estivesse preso, insatisfeito pelo lugar frio que o abrigo. Entre sístoles e diástoles. Quem sabe se eu revelar que te amo...
Não. Não pode ser que eu te amo, porque essa palavra não serviria dentro de mim, tão pequena e triste.
Bem, e se não for exatamente alguém? Mas pode ser que esse alguém seja exatamente o que chamamos de ‘eu’, e com cuidado. Eu carrego uma vida entre um ventrículo e outro, uma vida que se chama ‘eu’. Uma vida esquecida e triste.
Uma vida que se quer lembro-me de dizer que amo. Pois, não amo. Uma vida triste, que às vezes parece Deus, outras vezes parece anjo. Uma vida muito incrédula para ser chamada de ‘eu’. Tão esquecida. E sem motivo.
domingo, 28 de dezembro de 2008
Recepção

Já como adeus ao flowout 2008, e como um suposto clamor de recepção ao flowout 2009 proponho uma retrospectiva classificada dos fatos que me impulsionaram a escrever os textos publicados, assim como os não-publicados, mas que de certa forma consta, como um diário, todos meus devaneios no decorrer do ano.
De cara, relembro a tragédia com Isabella Nardoni, fato que me provou que existem humanos tão desumanos quanto a enchente recém ocorrida no estado de SC. Também posso recordar as MUITAS horas de agonia assistindo ao seqüestro de Eloá, que desembocou na aparição de vários crimes cometidos pelo pai da mesma. Lei-de-tudo-que-vai-volta. INFELIZMENTE (nesse caso).
Não posso deixar de citar a crise americana, que ainda é a assombração de nós terráqueos. Por falar em assombração americana, dou festa ao dizer que George W. Bush sairá do poder em menos de uma semana, passando o cargo de presidente de uma das maiores economias mundiais para Barack Obama. Isso me faz lembrar a paz, à um passo da concretização, não sendo o novo CD do Latino.
Em um ponto particular, brindo ao show de Madonna no Brasil, este que não estive presente; Ao lançamento de “Circus”, novo Cd da futura-nova-Madonna: Britney Spears. Então, ressurgida das cinzas, mas não menos pomposa.
Brindo também ao sucesso de uma Novela, de fato com N maiúsculo: A Favorita; assim como a um mérito pessoal: vencer um concurso de Cordel a nível nacional, isto que se quer sabia o que era Cordel antes de escrevê-lo. Fui mandada direto a São Paulo, pude sentir o que me espera.
Na minha vida, o que inovou mesmo foi a descoberta de que o amor é químico. (Ao menos isso eu aprendi). Meu amor que os diga. Mas na verdade verdadeira, o que está para inovar é mesmo 2009. Eu inovo, tu inovas, ele inova. Bem Vindo 2009! Que seja doce o teu nascer.
sábado, 27 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Desvairada

É bom correr, apesar de que a perfeição rejeita qualquer pressa. Eu, costumo correr. Hoje, por exemplo, acordei exausta, como se não houvesse dormido, afinal, de ontem para hoje corri milhas para manter-me viva.
Esse ato apressa os fatos e é por isso que não há mais tudo completo, nem uma carta, nem um quebra-cabeça.
Quebrei a minha ontem, decidindo o meu futuro. Como corro muito, logo esqueci a idéia, que por sua vez se manteve inacabada. Essa é uma asserção com razão justificável para ter trinta e mais alguns textos sem preciosidade.
Tenho andado incauta com a vida, tresloucada por vezes. Devo ser nefelibata, ou outra coisa inefável.
Hum, está aí, não é que sobrevivo e posso ainda ter uma visão do concretismo. Foi apenas uma efêmera fase de ciclo seco, que nada se sente e nada se passa, mas, eis que estou aqui: suntuosa, como sempre.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Cá entre nós

Apaguei a luz, fechei a janela, liguei uma música alta e o abajur sobre um papel. Como se não bastasse a falta de inspiração sou interrompida pelo telefone. Notícia ruim? Bom se fosse.
Sinto nojo dessa lágrima que me corre, pois não passa de um conforto para a piedade que sinto por mim mesma, que fui e já não sou. Há mais de meses desaprendi a escrever.
Ou me engano, ou tudo que escrevi até agora foi inútil. Apenas introdução pra resmungar como uma velha-quase-sem-vida:
EU PRECISO ESCREVER. E repito, até me cansar. EU PRECISO!
Já tentei de tudo. Desespero, ausência, inventar uma história, ser alguém em alguma outra, matar a própria vida, quem sabe. Já tentei Deus, já tentei meditação, candomblé, nada funcionou.
Alguns textos sem fim, histórias feias que não servem para nada, alguns outros lindos demais que me trazem saudade. Eu não sei mais escrever. Eu perdi o dom.
Existe perder o dom?
Verdade doída, eu nunca o tive. Foram apenas flashes de entusiasmos que me levaram pra longe, pro céu, pra heavy Sampa, mas só.
E agora? Pra acabar, o que eu falo? Não há palavra para usar, não sei, nem sou, já fui e, agora, já vou.
domingo, 2 de novembro de 2008
Uma chuva e alguns avulsos

“Só que os escritores são seres muito cruéis estão sempre matando a vida à procura de histórias.”
Nos dias de chuva, quando tudo está úmido, quando minha mente está embaçada, sinto de leve um resquício de perfume sobre minhas mãos. Esses cheiros antigos, quando já mofos pelo tempo têm um desejo incontestável de ressurgir.
Quando a tarde está assim, mórbida e nostálgica, algumas frases começam a se acumular, quase que incessantes. Um impulso me leva ao papel, e um amor me tira as palavras. Rendida por. Foge-me alguma exata.
Você quer o sim, você o aspira quando o medo é barrado na porta e então pula a basculante do banheiro, úmida e embaçada, neste dia de chuva.
As águas correm na rua – fluvial -, as águas derretem das nuvens – pluvial -, os bueiros abarrotados de lixo, assim como fico, nestes dias úmidos e de chuva.
O livro sobre a mesa não nega que tenho um vício pela fome: “... porque saciar a fome poderia trazer, digamos, mais conforto?...”. Sei que não estou alinhada, nem respectiva, apenas úmida, abarrotada, entupida e embaçada. Cruel.
Enquanto a chuva passa, neste dia cinza... Enquanto outubro começa a dar as caras... Enquanto recebo essa iluminação que se contorce, a qual chamamos com certo descuido de amor...
30 de setembro de 2008.
Assinar:
Postagens (Atom)