sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Em alguma fresta do céu


Tem que existir. Eu sei em algum canto, em algum poço semelhante ao meu deve existir alguém tão eu, como eu. Eu não sei seu nome, a tua cor, o teu telefone, mas eu sei que você existe e procura por mim. Você não tem voz, não tem vez, mas mesmo assim tu sonha comigo todas as noites e me procura nos jornais, na internet, nas rádios, em todas as freqüências. Você conta sobre mim aos seus amigos, você sorri sincero quando ao fechar os olhos sente o meu perfume.
Você deve haver. Você deve ter um cavalo tão branco quanto a tua alma, mãos ternas, um abraço protetor. Você fala de Dom Casmurro, recita Camões, você canta Beatles, você cheira campo. Você me trás uma brisa, uma nostalgia, um blue.
Nesse momento você se pergunta em que lugar desse mundão de Deus eu posso estar, qual a cor dos meus olhos, você não pensa em embalagem, você pensa em alma, em vontade.
E a chuva começa a cair, o frio começa a bater, minhas mãos estão frias, tuas mãos procuram por mim, tua boca pede a minha e eu me comovo de pensar em ti, tão longe, tão só. Meu amor, eu não sei como te chamo, eu só sei que eu te clamo, que eu danço, que eu choro nessa espera. Você há! Eu sei que em alguma fresta do céu você vive. Você vive pra mim. Você chama por mim, tão sem nome, sem telefone, sem voz. Você chora, você grita, você diz: “Não demora, tudo é vago, mas tudo o que eu lhe trago é o perfume do jasmim. Minha flor, meu amor, meus olhos dizem coisas minha boca não traduz, meu coração se cala diante do anseio de te olhar, te abraçar, ser só teu e cantar: all my loving to you.”

Um comentário:

Isadora disse...

Nossa Jé! Juro que chorei... PERFEITO. . .