segunda-feira, 20 de julho de 2009

Cara senhora governadora Yeda:

Aprendi na escola, com minhas professoras, que deveria me dirigir a senhora como “Vossa Excelência” ou algo assim. Mas hoje ao despertar muito cedo para fazer uma corrida até Santa Maria, me deparei com isto na capa do jornal:



Há dois anos, no mesmo jornal, li que a senhora teria ganhado as eleições após o segundo turno. Não votei na senhora. Aliás, não votei em ninguém. Devo dizer que a senhora me parecia muitíssima mais, digamos, preparada, que todos os outros seus antecessores. Era grande a minha esperança, senhora governadora.
Hoje, eu ando pelas escolas, e vejo as caras sofridas das pessoas as quais me ensinaram tudo o que sei, posso dizer a senhora com segurança: elas estão cansadas, senhora governadora. E era na senhora que elas confiavam, acima de tudo, para que desse um jeito nesse grande cansaço que já vem de anos.
Nos últimos tempos esse cansaço aumentou, com o seu desleixo quando se trata de educação. A senhora ganha muito bem, senhora governadora, e tudo isso devido ao teu alto grau de conhecimento e capacidade, os quais aprendeu com suas professoras. E a maioria delas morre de fome.
O que quero pedir, quando penso na senhora não tem nada de extraordinário. Eu como filha de professora lhe peço comida, senhora governadora. E as educadoras só querem saúde e um mínimo de segurança para andarem nas ruas sem o risco de serem atingidas por uma cacetada dos seus seguranças. Querem um mínimo de honestidade, e esperam que a senhora reforce a auto-estima delas apenas tendo satisfeitas as necessidades humanas básicas.
Estou tão cansada de mentiras, promessas, aparências, fraudes, ilusões. Eu queria gostar da senhora, senhora governadora, queria tanto confiar na senhora. Os gaúchos entregaram os seus destinos nas suas mãos, com boa fé e boa vontade, para depois de dois anos, verem o resultado de que a educação realmente é tudo, mas veja bem: está sendo tão pouco investido nela, que até a senhora, que é governadora, está mal-educada.
É por tudo isso e muito mais que, daqui de muito longe, no interior do estado, tenho a ousadia de concluir pedindo: pense bem, senhora governadora, no que vai fazer daqui pra frente. Pode ser bom, se houver um pedido de desculpas, pode ser nobre e grandioso. Tenho sido tão paciente, mas tudo depende da senhora. Seja justa, honesta, e bem mais educada, depois disso tu serás “Vossa Excelência”. Boa sorte.

17/07/2009

Baseado no texto de Caio Fernando Abreu, “Caro senhor presidente eleito Fernando Henrique Cardoso"

quarta-feira, 1 de julho de 2009

À Risca, baby


E então eu pensei que a vida é uma linha qualquer traçada sobre o ideal e que o risco de ser jogada pra fora dela é quase que inevitável.

Você caminha à risca, baby, quando de repente lhe jogam uma pedra. Você tropeça, mas não cai. Você migra entre os dois pólos opostos quando acontece a desgraça.

Cá entre nós, essa é uma jogada arriscada, que requer uma habilidade paranormal de controle-imediato-de-raciocínio. Entretanto, eu não posso seguir à risca.

Digo: não se trata de não poder, o que ocorre é que a vida ideal até trás uma felicidadezinha e não é isso que eu procuro. Como já diria o velho autor, ser feliz não é tão importante, o que vale mais é ter uma vida interessante.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Se foi


Preciso te contar, não pode passar de hoje. Eu tenho lembrado todos os dias da nossa ex-vida-encantada. Eu tenho revivido todos aqueles sonhos sem sentido que jurávamos realizar, talvez no ano que vem ou em outro qualquer. Nunca imaginei que o ano que vem não chegaria.
E agora eu estou no ano que veio. E você está no ano que foi.
Não faz sentido jogar aqui essa meia dúzia de frases feitas, mas faz assim: procura o seu caminho!

terça-feira, 26 de maio de 2009

amor&tanto


Entre os tantos&tantos assuntos que eu poderia escrever, hoje, eu escolhi você. Não é novidade, tudo o que eu escrevi tem você. Eu escrevo apenas você, por mais que não compreendo o que me leva a isso. Já são tantas datas, tantas voltas que me levaram sempre a ti, sem vencer minha tristeza, minha magoa por não te ter.

Aquele nada, era tudo pra mim, era meu porto de desembarque e uma vela acesa na caverna escura que minha vida se tornava, mas você me negou. Me negou por tantas&tantas vezes que já não dói o teu falar manso sobre o agito do meu sentimento.

Você fala agora, você fala sempre. Mas hoje eu não quero! Já não faz mais sentido meu desejo reprimido, porque esses anos me envelheceram, esses anos te deprimiram. Você talvez esteja meio morto, você, ah você, não deve existir mais, eu poderia te manter vivo, mas já não quero mais, já não preciso mais.

Mas já minto demais. Eu te quero tão bem, enquanto você deseja não parar com essa mente poluída, teus sonhos&sonhos loucos, teus sonhos&sonhos impossíveis. Tu já não sabes mais o que é amar.

Tu nunca soube me amar!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Então, no momento!


Porque o ciclo não se desfaz um pouco, pra eu deitar na grama e sentir o sol bater no rosto? O vento talvez saiba que palavras são poucas e inexplicáveis perto do sentimento. Mas porque o mundo não gira, esquece os fusos, as horas? O relógio é inútil marcando essa novidade de poder, de jogar fora.

O tempo é besteira, porque correr, fugir pra novas formas de vida é em vão. Na chegada só há lágrimas, pelo menos na minha. Pra ser feliz nessa história é preciso recomeçar, mudar o passado, desfazer o teu sentir.

Eu não sei que dia é hoje, mas é o momento em que o meu sentimento busca qualquer razão, e uma conclusão que feche essa porta que tu deixaste eternamente aberta, permitindo minha entrada, mas nunca a minha permanência.

Você que fez minha vida tão desordem, você que me acostumou com idéia do nunca, e hoje é cedo pra ti, e pra mim já é tão tarde. O meu saber se contorce, se enleia, nessa novidade tua.

O Deus de mim não permite erro, já não pode aceitar o amor resolvido depois de tantos anos contados por um relógio que não sente e nem sabe o sofrer que é estar aqui dentro, no lugarzinho do meu Deus.

E você meu Deus, o que tu queres de mim? Nem tu sabes mais o que é fazer certo por mim, tão desastre, tão analfabeta no saber amar... Justo eu, que nunca pude olhar de perto o que é guardado naqueles olhos insanos e tristonho que está hoje.

Mas eu vou voltar, eu vou ser eu de novo. Eu não preciso sumir e ressurgir, eu vou apenas ser constante, se é que posso.

Veja: você não permite! Você volta depois do sol e nubla meu dia. Ciclo, maldito!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

"- Fiz algo errado? - indagou-lhe impaciente.
Não soube se o tempo ou a resposta foi lenta.
- A gente não podia mais nos falar...
- Fizeste o que eu deveria ter feito.
O coração saíra pela boca, pois se não saísse, em seu lugar sairia isso:
- Abri a porta pra você, te dei as duas mãos quando tu estavas triste. Tu deitaste no meu sofá, tu és ingrato! Me falaste que o que é nosso está guardado em mim, saibas que sentimento não se guarda, se vive! Pra mim, cedo ou tarde é sinônimo de nunca, e você, agora, é sinônimo de nada!"

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Talvez fosse


Um vidro, e além uma janela. Uma janela retangular que me leva a ver a rua, uma planta verdinha, uma arvore velha e mais outra seca. Da janela da sala eu vejo o tempo, que não está mais tão ensolarado como nos verões passados. Dessa mesma janela, há dias atrás, eu pude ver o sol, um sol quadrado.

O tempo está fechado, talvez seja por esse motivo que escrevo. Típico. Também tenho me sentido triste nos últimos dias, mas é uma tristeza que não está ao meu alcance. Simplesmente existe. E sem motivo.

Todos os dias quando eu abro os olhos eu sinto que alguém existe além de mim, mas aqui dentro, entre uma sístole e outra esse alguém grita. E sem motivo. Mas está, sobretudo, vivo. E aqui dentro.

Talvez fosse um anjo, talvez fosse Deus. E quem sou eu pra abrigar Deus?
Eu sou alguém que carrega outro alguém. E vivo. Mas não pode ser Deus, porque o deixei em alguma tristeza passada, ou em um soluço de desespero depois do erro inevitável. Eu devo tê-lo esquecido.

Eu carrego alguém que berra. Como se estivesse preso, insatisfeito pelo lugar frio que o abrigo. Entre sístoles e diástoles. Quem sabe se eu revelar que te amo...
Não. Não pode ser que eu te amo, porque essa palavra não serviria dentro de mim, tão pequena e triste.

Bem, e se não for exatamente alguém? Mas pode ser que esse alguém seja exatamente o que chamamos de ‘eu’, e com cuidado. Eu carrego uma vida entre um ventrículo e outro, uma vida que se chama ‘eu’. Uma vida esquecida e triste.

Uma vida que se quer lembro-me de dizer que amo. Pois, não amo. Uma vida triste, que às vezes parece Deus, outras vezes parece anjo. Uma vida muito incrédula para ser chamada de ‘eu’. Tão esquecida. E sem motivo.