sábado, 13 de setembro de 2008

Não há


Você pode perceber que não há dois, se não há um. Alguma coisa está acontecendo aqui dentro, no fundo do meu poço inundado pela chuva que parece não cessar. As feridas não se fecham, jorram, formam um chafariz central sem qualquer resquício de arte.

A frieza das minhas mãos, as secas batidas que o coração revela nesse pulsar encabulado, inseguro de si. Alguma coisa me faz esperar, esperar, esperar...
Incessante.
Não choro, apenas grito, apenas berro, dessa forma calada, dessa forma em silêncio. Escrevo gritando, com vergonha de mim.

Minhas emoções sujas com esses esgotos internos, com essas placas que me impedem de seguir, de partir daqui – dessa morbidez nostálgica. Eu quero, eu quero, eu quero... Tudo.
De novo.

Não consigo mais sair dessa loucura que me abrasa, não posso me entregar aos teus desejos, não posso encarar tua expectativa. Às vezes fere, fere fundo. Não quero que me cures, que me leves, eu não acredito: NEVER.

O passado puxou meu pé, como uma assombração maligna que insiste, insiste, insiste em me impedir, me iludir. Eu posso tentar! Por você, apenas...

Darei aquilo que me sobra, por necessidade humana, e depois de você – O que há?
Não quero, não posso. Mentira!

Um comentário:

Arieli disse...

eeh amiga, pra variar texto muito lindo meesmo! Tem muito a ver comigo também :/ 'É muito estranho como o que a gente quer acontece, mas não exatamente no momente que a gente quer. ‘Eu não quero, eu não quero, eu não quero’ mas agora que eu QUERO, eu não consigo!' JÁ DIZIA UMA POETA! te amo amiga!