
Me veio em uma tarde de maio. Enquanto todo aquele vento escrevia linhas tortas na terra seca. Há quem diga que histórias têm inicio, meio e fim. Mas quem dirá que a minha continua incessante? Quem entenderá essa minha insistência? Quem compreenderá que eu não tenho o direito de te amar?
Assim como todas essas interrogações segue minha vida. Milhões de perguntas sem respostas. Você vai e volta o tempo todo e eu continuo sempre no mesmo lugar, no mesmo mês, nas mesmas linhas tortas. Eu espero por você sabendo que você já veio, que você já foi, que já vivemos o que tínhamos pra viver.
Eu gosto desse lugar como se eu almejasse pela minha vez, como se um dia toda história deixaria seu tom cruel. E então eu olho pro céu e só escuto a tua voz e você pensa que talvez goste de mim, que talvez valha a vez, mas não, você sempre corre. Você se restringe por todo esse pouco.
De alguma forma todas aquelas mãos e aqueles olhos e aquelas vontades me fazem retornar com freqüência àquela cena que nunca aconteceu. Já não sei identificar o que foram sonhos do que foi real. E eu tento reordenar os acontecimentos, mas só enxergo você atrás da vidraça cantando uma música qualquer, sem importância alguma, sem olhar atrás.
Mas logo me vem à cabeça todos aqueles centímetros que nos separaram por meses e mais meses, aquelas portas que não podíamos ultrapassar - que não podemos ultrapassar. Mas pra você, isso não faz o menor sentido.
Minha permanência na tua vida é mesmo uma insistência, é uma teimosia. E como eu poderia dizer que a vida ia se resumir nisso, que minha história seria escrita sobre as linhas tortuosas de maio e que a tua vida seria progressiva, que nesse livro não existiria nosso encontro, que essa história seria maior que a minha existência?
“A coisa que uma pessoa mais precisa na vida é gostar das outras pessoas e ser gostada, também. Aí, pra ser gostado, a gente escreve histórias.”
Você gosta desta?